2020-08-20 18:03:07 geral

Vamos falar um pouco sobre Aleatoriedade – Parte I

Já comentei, em minha última vez por aqui, que adentrei o universo dos cardgames a pouco tempo. Para ser mais exato, desde o beta de Legends of Runeterra. Quando embarcamos em qualquer novo universo, devemos ficar atentos aos assuntos e aos termos importantes daquele campo social. (guardem isso, jovens leitores, quem vos fala é um professor que não consegue perder a oportunidade de tentar ensinar algo.)

“Mas aonde você quer chegar?”

O ponto que desejo destacar é quanto a uma palavra muito utilizada em conversas sobre cardgames: SORTE – ou para deixar mais erudito nosso dizer (rs) aleatoriedade. Percebi isso, não só nas conversas que tenho sobre Legends of Runeterra, mas na minha própria experiência.

Na última temporada, assim que avancei do Platina para o Diamante levei um baque enorme, comecei a amargar derrota, atrás de derrota, e inconscientemente responsabilizei a sorte pelas frustrações. Minha percepção estava distorcida. Naquele momento, era mais cômodo acreditar que as falhas não existiam, o que havia contra mim era uma enorme conspiração da aleatoriedade.

Foi então que em uma stream do Viktor Kav ouvi falar sobre Mark Rosewater, designer de MAGIC, e gostaria de compartilhar informações de um dos artigos de Rosewater: “KIND ACTS OF RANDOMNESS”. Esse artigo contribuiu para evoluir minha compreensão sobre os jogos de carta e sua relação umbilical com o valor do aleatório.
O primeiro passo dado pelo autor é a definição de aleatoriedade:

Portanto, aleatoriedade seria um estado em que o imprevisível opera. Entretanto, Rosewater nos leva a pensar esse conceito nos jogos. Isso porque, para ele dentro de cardgames – em MAGIC, mas o mesmo se dá em Legends of Runeterra - os jogadores têm a possibilidade de manipular a força da aleatoriedade. Ou seja, nós jogadores usamos elementos aleatórios de forma a torná-los menos aleatórios.

Para iniciarmos a conversa, na própria composição de um deck existe a oportunidade de manipularmos o imprevisível. Em Legends of Runeterra, um baralho é composto por 40 cartas, sendo permitido usar-se uma, duas ou três cópias da mesma carta. Princípio básico de deckbuilder:
• 3 cópias para cartas que desejo muito em minha mão inicial ou ainda nos primeiros turnos. (cartas necessárias ao desenvolvimento da estratégia)
• 2 cópias para cartas que desejo mais para o lategame. (cartas não tão necessárias à estratégia, mas ainda sim importantes)
• 1 cópia para cartas finalizadoras ou que não são de suma importância.
Desse modo, se muitas vezes você não finaliza seu jogo por “falta de sorte”, possivelmente seu baralho esteja formado de maneira a contribuir para isso.

Uma segunda vertente na manipulação dos elementos aleatórios está em cartas específicas dentro do jogo. Vejamos alguns exemplos práticos.

Observem cartas como: Bjerg Balbuciador, O Leviatã, O Apavorador e Armadilheiro Avarosiano.

Perceberam? Todas elas manipulam a aleatoriedade do jogo fazendo com que a próxima compra seja orientada de forma não, ou menos – no caso do Armadilheiro – imprevisível. Cartas como essas são importantes para demonstrar a tese de Rosewater. A aleatoriedade é uma força dentro dos jogos de carta, mas mesmo sendo preponderante nas partidas, nós não somos escravos dela.

Certa vez, assistindo uma stream do Capitão Serket, em uma vitória baseada no topdeck lembro-me bem dele falando algo como: “Foi sorte o topdeck? Foi! Mas eu permiti que o jogo chegasse até aqui para que esse topdeck me salvasse.”. Essa frase mostra bem a postura de um jogador experiente e que compreende as regras gerais de um cardgame. Bons jogadores não culpam a aleatoriedade, mas percebem a capacidade de manipular o randômico a seu favor.
Para concluir esses seriam os pontos principais:
• A aleatoriedade é uma força nos cardgames, mas não estamos totalmente sujeitos a ela.
• Bons jogadores percebem a capacidade de manipular a aleatoriedade e usam isso a seu favor.
• Sem a aleatoriedade o jogo perderia a graça.
Quanto ao último ponto ele será abordado no próximo artigo. Espero ter ajudado de alguma forma.

Um grande abraço e que você tenha sempre as melhores cartas!

Obs: vez ou outra eu apareço na Twitch. Quem sabe a gente se esbarra por lá.
https://www.twitch.tv/patinhodoti

Autor(a)

Luís Figueiredo

Neófito nos CardGames... professor nas horas não vagas.

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